Ang Lo entrevistado - Publicada originalmente na DOLL Magazine(Japão) Nº261 04/2009



Entrevista: Ang Lo
por Rafael Karasu (rafael@karasukiller.com)
publicada originalmente na DOLL (Japão) Nº261
04/2009

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Repúdio!
O Lema será sempre o Hardcore, Sinceridade e diversão para esses jovens do Rio de Janeiro! Morte lenta aos interesseiros, vagabundos, Corruptos, pilantras e pela-sacos de plantão!!! Repúdio! Vai na gritaria!!!


1-Repúdio como vocês estão?
Estamos bem, muita expectativa com o novo trabalho “Pra que entender?” fazendo um lançamento simultâneo Brasil / Japão. também buscando novas parcerias para lançamento em outros continentes e doido pra começar com a turnê desse cd.

2- Comente sobre a história ,como e quando foi formada. O que motivou vocês a formarem a banda?
A banda foi formada em 2003 sendo iniciada pelo o vocalista Zumby, que arrebanhou amigos para o projeto, com o intuito de criticar o que há de errado na sociedade e apontando possíveis soluções. A primeira formação contou com Zumby, Ang lo, Felipe e Chacal que se modificou ao longo do tempo devido a divergências musicais. O primeiro trabalhado intitulado “Fim de Tudo”, mais voltado ao punk rock tradicional, foi gravado com o Magno e Xurréia assumindo as guitarras, formação esta que ficou bem conhecida no underground carioca. Passado algum tempo Xurréia e Chacal sairam e Dagotta assumiu a bateria sendo assim a formação: Zumby, Ang Lo, Magno e Dagotta.

3- A banda passou por diversas formações, comente sobre isso, é difícil manter o pessoal ativo na banda?
É muito difícil viver de musica aqui no Brasil, por isso todos os integrantes precisam de ter uma renda fixa, ou seja, um trabalho formal. Não conseguir conciliar o trabalho com rotina de shows e ensaios, e algumas divergências musicais, fez a formação variar.

4- O que significa o punk/hardcore em suas vidas? E consideram-se uma banda punk/hardcore tanto na sonoridade como na postura?
O Punk/hardcore é o fundamento básico de alguém que quer questionar. Talvez pela herança “genética” do estilo, considero um som forte, capaz de chamar a atenção das pessoas para um determinado assunto. Nos consideramos punk/hardcore tanto na sonoridade quanto na postura, justamente por questionar os conceitos antigos destas vertentes musicais, da política e da sociedade em geral. Por isso acrescentamos elementos sonoros diferentes as composições, não nos vestimos como as outras bandas do estilo, dentre outras coisas que realizamos no nosso dia a dia, que pode ser visto com estranheza, tanto pelo pessoal que “vive” o estilo, como as outras pessoas que não conhecem a cultura underground. Resumindo: às vezes somos estranhos em qualquer ninho... rsrs

5-Uma vez você comentou comigo que a banda perde espaço no meio de tantas bandas covers, comente sobre isso?
É realmente uma pena. Não sou contra o cara tocar um cover, mas não concordo com um cara que fundamenta seu trabalho em copiar os outros. Aqui no Rio, por exemplo, pessoas preferem fazer eventos com bandas cover, por causa do dinheiro que isso pode gerar, pois a juventude de hoje não busca novos sons, mas só ouvem o que os formadores de opinião os induzem, em outras palavras, a maioria das bandas que fazem sucesso é pagando propina. Mas nós somos resistentes, não desistiremos, nem nos prestaremos a isso, só pra ter uma agenda cheia.

6- Todos na banda têm um trabalho? Como é conciliar trabalho e shows?
Cara é bem difícil às vezes nós temos que abrir mão de shows e viagens devido ao trabalho pois não vivemos exclusivamente disso. E com uma agravante:
a maiora dos eventos realizados no Rio de Janeiro são de bandas cover e cada show perdido pra nós é menos uma chance de nos apresentarmos, e divulgarmos nossas idéias.



7- Como anda a cena Hardcore no Rio de Janeiro, existe um apoio?
Está bem fraco, já foi melhor. Houve época que fazíamos show toda a semana de quinta a domingos sem parar, mais nos últimos dois anos isso parou. Agora shows mesmo tem mais em outros estados. Mas como sempre, há um foco de resistência, caras como o Michael Menezes!(Parayba Records) e o Djames (Ant-discos) ainda estão por aí, dando apoio ao underground seja realizando eventos ou lançando novos talentos.


8- As músicas são cantadas em português, explique o conteúdo das letras do Repúdio. Como é o processo de composição?
Todas as letras, são de contestação, de forma que levante as dúvidas e questionamentos sobre os assuntos, fazendo a galera pensar. De forma alguma somos os donos da verdade, ou impomos opiniões, simplesmente dialogamos com os ouvintes: você acha que isso está certo? Você concorda com aquilo? E nunca afirmando: tem q ser assim, ou tem que ser assado. Em relação ao processo de composição, o Zumby escreve coisas no dia a dia dele, e deixa guardado. O Magno ou eu chegamos no ensaio com uma idéia de melodia e normalmente compomos a parte instrumental, todos juntos. Depois adequamos alguma letra do Zumby. ou ainda, ‘as vezes conversamos sobre um determinado assunto, durante o próprio ensaio, e compomos algo em cima daquilo, como foi com a “Sergipano do Olho Amarelo”.

9-Explique para nós quais são os pontos positivos e negativos de viver no Rio de Janeiro.
Cara, eu amo o Rio de Janeiro. É realmente uma cidade maravilhosa, em todos os sentidos, essa é a parte boa, porém, temos que aturar algumas pessoas que não possuem o mínimo do senso do ridículo. Alguns administradores superfaturam as obras, só olham para o lado “rico” da cidade, a polícia abusa absurdamente do poder, a educação e a saúde são extremamente precárias... dentre outras coisas que eu poderia falar que se estenderia por páginas e mais páginas. Mas com tudo isso, é minha terra natal, e luto por ela!

10-A realidade aqui é completamente diferente da do Brasil, o que você conhece do Japão? O que você admira nesse país?
Bom, conheço bastante coisa. Sou estudante de história, e sou fascinado pela história de seu país. Sobre lutas e guerras principalmente. Admiro muito também a música tradicional japonesa, o shamisen, o taiko... tantas coisas belas! Também sou praticante de artes marciais japonesas. E é claro, os seriados japoneses que influenciaram nossa infância aqui no Brasil, como Jaspion, Changem, Jiraya e etc.

11-Que bandas japonesas você conhece? O que mais te impressiona nas bandas japonesas?
Cara, conheço algumas... Maximun The Hormone, God Of Shamisen, Nomares,Vivisick, Real Reggae, Guitar Wolf... Tem uns lances mais alternativos também, tipo Pizzicato Five, The 5,6,7,8’s, Kitaro... Mas o que tenho ouvido no momento é Tokyo Ska Paradise Orchestra... inclusive, se alguém quiser me mandar um cd deles eu agradeço... rsrsrs


12- Deixe a mensagem do Repúdio para os leitores japoneses.
Pretendemos um dia aportar em terras japonesas, mas não temos previsão. Esperamos que gostem de nosso novo trabalho, porque tudo o que fizemos foi com o coração, com emoção, com sinceridade, pois é assim que acreditamos que as coisas devem ser feitas. “Conteste sempre o que lhe for imposto, não engula nada sem sentir o gosto!” O Exemplo disso tudo é Repúdio!

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